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08/04/2014

Estiagem gera 'boom' de algas e pato fica com plumagem verde em represa


Conselho diz que tratamento incompleto de resíduos causou 'fenômeno'.

'Geleia esverdeada' pode colocar saúde de animais em risco, afirma biólogo.

A estiagem atípica no interior do estado de São Paulo fez aumentar a proliferação de microorganismos na Represa Salto Grande, em Americana (SP), e modificou a coloração da plumagem dos patos que vivem no local. Segundo o biólogo e presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema), Carlos César Gimenez Zappia, o fenômeno que tingiu o animal de verde coloca em risco a saúde deste e de outros bichos daquele habitat.
De acordo com Zappia, a falta de chuvas aliada à presença de nutrientes nas águas, por causa de tratamento incompleto de efluentes, favoreceu a formação do "biofilme verde" após expressiva reprodução de algas, fungos, cianobactérias e protozoários.
"Esse biofilme causa problemas ao sistema como um todo, provoca odores desagradáveis e atrapalha a respiração de peixes ao formar uma massa densa que impede a penetração de luz. O material é como uma geleia e adere ao indivíduo. No caso de aves, pode reduzir a gordura das penas e diminui a flutuabilidade", diz o ambientalista que é também presidente da Associação Barco Escola. As imagens dos animais foram registradas pela entidade na semana passada.
Tratamento incompleto

De acordo com Zappia, o tratamento incompleto de efluentes permitiu acúmulo de nutrientes que são usados no desenvolvimento dos microorganismos. Sem o período de chuvas, explica o biólogo, não houve "troca das águas" e a proliferação contínua de fungos e cianobactérias desde outubro já ocupa as duas margens e cresceu 500% em quatro anos, segundo o Comdema.

"Esse reservatório recebe cargas de poluentes in natura e também outras que já passaram por tratamentos de efluentes, na sua maioria primário, que é a retirada de sólidos; e a secundária, que remove a carga orgânica. Por outro lado, permanecem nutrientes como nitrogênio e fósforo, que são usados para o desenvolvimento de plantas e organismos", explica Zappia.

O biólogo disse que um alerta foi emitido pelo conselho em 2010, contudo, a atual legislação exige somente os tratamentos primário e secundário. "Por enquanto é necessário somente o monitoramento, já que felizmente não houve mortandade exagerada. Temos que sensibilizar as autoridades para os processos completos [...] Na Europa já há remoção de hormônios", frisou.

Proliferação de microorganismos tinge represa de Americana de verde (Foto: Juan Piva / Associação Barco Escola)
Proliferação de microorganismos tinge represa

de Americana (Foto: Juan Piva / Ass. Barco Escola)


Fiscalização

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Americana alegou, em nota, que mantém contato direto com outros municípios que têm relação direta com o Rio Atibaia para melhorar a eficiência das ações de combate à poluição na represa. "A Secretaria de Meio Ambiente tem intensificado a fiscalização, mas cabe ressaltar que a montante existe mais de uma dezena de cidades e todas as ações devem ser feitas de modo consorciado, uma vez que, por carreamento, a poluição chega até Americana", diz o texto.

Procurada pelo G1, a assesoria da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) não comentou o assunto até a publicação desta reportagem.




Fonte: G1
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